COMO GERIR EQUIPES HÍBRIDAS SEM FADIGA MENTAL

Nossos modelos de gestão estão sendo desafiados de forma incessante desde o início do período de isolamento social, afetando nossa relação com as nossas próprias necessidades básicas, a exemplo de segurança ou estabilidade, aumentando a ansiedade e o estresse, impactando o bem-estar e os relacionamentos no ambiente corporativo, impondo a adoção de novos paradigmas de gestão de pessoas e de processos de trabalho que possam mediar as necessidades dos membros das equipes e os interesses da administração, sem contribuir para o agravamento do adoecimento emocional nas mesmas.

Diariamente, diante da impossibilidade de estarmos juntos em um mesmo espaço físico como outrora, somos tentados como gestores a comportamentos e atitudes capazes de gerar gatilhos mentais de insegurança nas nossas equipes, tais como:

  1. Estabelecimento de prazos irreais de acordo com a realidade de cada um
  2. Tratamento desconectado com as necessidades individuais, familiares e sociais
  3. Indisponibilidade de tempo para ouvir individualmente e coletivamente a equipe
  4. Ausência de reconhecimento
  5. Resistência às mudanças
  6. Sobrecarga de trabalho
  7. Demora na tomada de decisão
  8. Falta de estímulo à cooperação

O Estresse e o conflito no ambiente de trabalho têm causado consequências danosas no ambiente corporativo.  Diante dessas situações, o cérebro humano aciona a resposta LUTAR OU FUGIR, interrompendo a capacidade de pensar estrategicamente, nos levando a abandonar o comportamento razoável e racional e adotar o primitivo, reativo.

Incumbe aos líderes evitar tais gatilhos para o bem das pessoas, da criatividade, da inovação e da produtividade.

A verdade é que, a forma como a Liderança lida com os desafios determina o quanto sua equipe se sente segura.

A possibilidade de trabalhar em casa não é uma novidade.  Há tempos convivemos com essa realidade, ora exacerbada de forma forçada em razão das restrições da pandemia.

Assim, é preciso frear ímpetos de monitoramento incessante como requisito essencial ao bom desempenho. Tomar cuidado com excesso de reuniões sem propósitos definidos, na tentativa de impedir a procrastinação ou o desperdício de tempo dos servidores, vez que existem outros meios eficazes e menos exigentes em relação ao tempo para solucionar problemas pontuais.

Precisamos de um novo modelo de liderança.  Uma nova mentalidade. É preciso repensar a gestão, os gargalos, a antifluidez, o desenho organizacional, agora mais horizontal e com foco na autogestão. O papel da liderança, agora mais do que nunca, é o de facilitadora, acessível e removedora de impedimentos.  Estimuladora do trabalho em conexão e de posturas colaborativas.

Precisamos sair das posturas de comando e controle para o alinhamento e a autonomia e perceberemos que lidar com as novas modalidades de trabalho é ainda mais desafiador. Se flexibilidade é a ordem, como poderemos gerá-la, promovê-la em todas as modalidades de trabalho e inclusive na presencial?

É preciso transformar o local físico institucional em um lugar de encontro, de coworking, de compartilhamento, onde equipes multidisciplinares irão reinventar a forma de colaborar, através de uma gestão do desempenho marcada pela colaboração, pela multidisciplinaridade, pela busca de novas competências e habilidades voltadas para o autogerenciamento, ao conhecimento de tecnologia, à resolução de problemas, requalificação e lifelong learning, priorizando a saúde, o bem-estar e ambientes adequados de trabalho, substituindo-se a postura de ADAPTAÇÃO  pela de TRANSFORMAÇÃO e a ESTRATÉGIA DEFENSIVA pela ESTRATÉGIA DE MOBILIZAÇÃO.

COMPARTILHANDO A VISÃO

O primeiro dos 7 passos para gerar motivação na equipe é compartilhar a visão sobre o futuro, metas e objetivos, de tal forma entusiasmada que todos os seus integrantes compreendam e adiram, percebendo de que forma se inserem e contribuem para o atingimento dos propósitos.

Trata-se da capacidade de unir habilidades, compartilhar princípios, valores e metas, estimular habilidades coletivas e construir resultados que façam sentido para todos.

Alguns exemplos de como implementar: seja claro quanto a metas e objetivos; exemplifique; envolva-os em cenário que será construído por todos; mantenha-se antenado, verificando e apoiando melhorias; ouça seus colaboradores para compreender o que pensam, quais seus anseios e aspirações; Inspire-os com histórias, experiências, metáforas, etc.

A eleição de metas e objetivos comuns, de forma realista e realizável, além de gerar motivação e união da equipe, tem o condão de construir significados, engajamento e potencializar os resultados.

Considere que indivíduos se desestimulam quando não conseguem ver sentido no trabalho que realizam. Para evitar que tal aconteça, crie uma visão para seus parceiros de equipe. Isso compreende a definição de: o quê, como, em quanto tempo, onde a equipe deve chegar, além dos benefícios que serão obtidos ao conquistar a meta.

Estas são algumas ferramentas estratégicas capazes de moldar uma visão compartilhada, mas o componente mais importante e transformador será sempre o entusiasmo dos líderes, contagioso e potente para gerar compromisso com o futuro e aspirações compartilhadas.